Alvaro cobra fiscalização de ONGs

Líder tucano reage a denúncias sobre o saque de dinheiro vivo da conta de uma empresa laranja favorecida por emendas de senadores.
Publicado em 20/12/2010 | Agência Estado
O senador Alvaro Dias, líder do PSDB, desafiou ontem a presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), a iniciar sua gestão no governo combateando o desvio nos repasses de dinheiro público para organizações não governamentais (ONGs). Ele citou a denúncia da reportagem publicada no sábado no jornal O Estado de S. Paulo, sobre o saque na boca do caixa de dinheiro depositado na conta da RC Assesso­ria e Marke­ting, registrada em nome de laranjas, como exemplo do “escândalo” patrocinado pela “aliança” dessas entidades com dinheiro público.
A reportagem mostrou que R$ 1,7 milhão foi sacado em espécie logo que o dinheiro chegou na conta da RC Assessoria e Marketing, favorecida por emendas dos senadores Gim Argello (PTB-DF), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Sandro Mabel (PR-GO), entre outros. O líder tucano lembra que, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a oposição teve o empenho em investigar irregularidades como essa na CPI das ONGs, mas as apurações foram bloqueadas por parlamentares da base aliada ao Planalto. “A prática é tão escancarada, que exige uma reação imediata”, diz. Na opinião de Alva­ro Dias, o procedimento de aprovar emendas para empresas suspeitas ou “fantasmas” repete o que ocorreu em 2006, como mostrou a Operação Sanguessuga, deflagrada pela Polícia Federal (PF). Na época, foi comprovado que o dinheiro das emendas era destinado a empresas que vendiam ambulâncias com preços superfaturados e que os autores das emendas eram recompensados com parte da verba desviada. “O Orçamento tem de ser examinado pelas comissões técnicas das duas Casas e não como é hoje, por uma comissão específica, que facilita os desvios e a corrupção”, alega o senador.
 

Repercussão

Na opinião do deputado Dr. Rosi­nha (PT-PR), o que tem de acabar são as emendas individuais, protagonistas de todos os repasses irregulares. “Como atendem interesses limitados, estas deveriam ser substituídas pelas emendas de bancada”. Para o Orçamen­to de 2011, foram reservados R$ 13 milhões para cada parlamentar fazer emendas. Dr. Rosinha afirma, ainda, que a CPI das ONGs do Senado fracassou porque tinha característica política “de investigar só o governo Lula”. Sem esse tipo de procedimento, o deputado considera válido analisar o destino das emendas de todos os parlamentares, só não sabe se por meio de CPIs, as quais, na sua avaliação, “estão com os objetivos distorcidos”. 
 
"A CPI das ONGs do Senado fracassou porque tinha característica política de investigar só o governo Lula.” Doutor Rosinha (PT-PR)

http://www.gazetadopovo.com.br/vidapublica/conteudo.phtml?id=1079369

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