Bolsa de embalagem de salgadinho

Para bons empreendedores, as oportunidades vêm de onde menos se espera, até do que é descartado por muita gente. Foi assim que aconteceu com Tom Szaky, de 28 anos, CEO e fundador da Terracycle nos EUA, quando descobriu que poderia ganhar dinheiro com embalagens, garrafas ou latas que se transformariam em outros produtos através do incentivo de grandes empresas.

A ideia da Terracycle se espalhou pelo Canadá, México, Estados Unidos e Reino Unido e já chegou ao Brasil. Isso através de uma conversa pela rede LinkedIn, quando o empresário conheceu o brasileiro Guilherme Brammer. Depois de trabalhar em uma empresa cuja matéria-prima era o polipropileno biorientado, Brammer passou a questionar sobre o destino final desse material, mais do que isso, buscou empresas envolvidas com negócios verdes e através de um bate-papo com Tom foi convidado para presidir o negócio no Brasil, que conta com ajuda de grandes empresas e dos cidadãos desde 2009.

Além de gerar renda, a iniciativa beneficia natureza e empresas, pois é uma forma inovadora de coletar e reusar embalagens com difícil reciclabilidade dispostas indevidamente nos aterros sanitários pela falta de sua separação na coleta seletiva. "Uma solução inovadora para as grandes corporações se responsabilizarem pelo destino das embalagens de seus produtos. Além de irem ao encontro dos projetos de lei brasileiros atuais sobre a responsabilidade compartilhada do descarte de lixo", esclarece Brammer

O ciclo funciona assim: são escolhidos produtos difíceis de serem reciclados, que não precisem destruir a sua forma para se transformar em algo novo. Cidadãos ou grupos específicos, como de escolas, por exemplo, se cadastram através do site TerraCycle como representantes de times e escolhem uma das brigadas: PepsiCo ou Tang, que são as empresas apoiadoras. A partir disso, o líder de cada time reúne 100 embalagens: ou de salgadinhos (PepsiCo), ou de sucos Tang.

Depois disso, o próprio representante coloca as embalagens em uma caixa e a entrega nas agências dos correios, isso sem custo algum. As embalagens valem dinheiro, parte dele é doado às instituições. Com elas também são feitos novos produtos sem alterar a forma original, entre eles, bolsas, mochilas, alto-falantes, guarda-chuvas, estojos, esses vendidos em grandes redes varejistas, no caso a Wallmart. A renda vem justamente da venda desses produtos. "Essa ideia beneficia qualquer grande empresa que possua embalagens difíceis de reciclar e nos ajuda a oferecer aos consumidores produtos eco-amigáveis, com preços acessíveis", acrescenta Szaky.

Uma logística de reaproveitamento que parece complexa, mas que já vem dando certo mundo afora e chega por aqui. Mais de 3.300 pessoas coletaram lixo e aproximadamente 210.000 embalagens deixaram de ir aos aterros sanitários. O próprio Guilherme explica melhor como funciona o chamado "upcycling".






Necessaire feita de embalagem de salgadinhos.





Bolsa feita de embalagem de salgadinhos.






Bolsa feita de embalagem de salgadinhos.





 Mochila feita de embalagem de salgadinhos.






Carteira feita de embalagem de salgadinhos.
Guilherme Brammer. Foto/Divulgação

Por que o Brasil faz parte da lista dos países participantes?
O Brasil está no foco das grandes empresas, nossa economia estável está ajudando muito a nos tornarmos ponto central de crescimento das grandes marcas. Junto a esse crescimento, eles precisam responder com ações sustentáveis. Hoje em dia não dá para investir em um país e não se preocupar com a questão social, ambiental e econômica. E a Terracycle quer acompanhar este desenvolvimento de perto. Sabemos que poderemos ajudar com os resíduos gerados e que, infelizmente, são destinados a lugares errados por falta de coleta seletiva adequada. As grandes marcas estão realmente preocupadas com isso e estão encontrando na Terracycle uma possível solução prática para esta questão.

Vocês já contam com ajuda de duas grandes empresas. O que está nos planos de vocês para ampliar o negócio?
Com certeza em breve anunciaremos mais duas grandes marcas que nos apoiarão. As empresas estão realmente focadas em encontrar melhor utilização para os resíduos gerados.

E para confeccionar os produtos, quem faz esse trabalho?
Hoje trabalhamos com parceiros espalhados por vários continentes, no Brasil temos uma cooperativa de costureiras no sul do país e agora estamos desenvolvendo uma micro-empresa formado por ex-presidiários e familiares para confecção de um trabalho artesanal muito bacana com as embalagens.

O lixo será o negócio do futuro?
A Terracycle é um negócio igual a qualquer outro, mas nossa matéria-prima é o lixo. Chamamos isso de Eco-economia. Acreditamos que isso é o negócio do presente e do futuro. Como na natureza, o que é lixo para um ecossistema, vira matéria-prima para outro.

Mas é algo que precisa muito do comportamento das empresas e cidadãos? O que você tem observado em relação a isso?
Os consumidores estão pressionando muito as grandes marcas que, por sua vez, pressionam os fornecedores de matéria-prima para desenvolver produtos mais ambientalmente corretos. Foi aí que vi uma grande oportunidade de mudança de minha carreira, pois conhecendo bem a cadeia de suprimentos, eu poderia ajudar muito o final da cadeia e juntar os pontos.

Por Juliana Lopes
fonte: Vila Mulher
http://www.setorreciclagem.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=974

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