A menina cheia de manias.

Era uma vez uma menina cheia de manias. Sabida como ninguém. Tinha mania de querer recolher saberes por ai, bastava à curiosidade aguçar, guardava o saber no bolso. 

Suas manias eram todas de estimação. 

Roer as unhas, sua mãe não deixava não.
Mas, debaixo dos lençóis, feito caverna, lá estava ela, unha por unha, não sobrava nadinha...
Falar sozinha, essa ninguém aguentava.
Seus amigos achavam que era com eles que ela falava, que nada.
Essa menina imaginava, tanto, que voava... seus pensamentos iam a lugares mágicos.
Acho que tinha mania de asas, de ser pássaro. 

E assim a vida ia passando e cada vez mais essa menina cheia de manias, crescia.
Se você pensa que ela parou de colecionar manias, se engana.
Na sua estante, além dos livros, a menina, já mulher tinha um pedacinho de cada lugar que ela conhecia.
Dos lençóis maranhenses, trouxe a areia, bem fininha, ficava guardada no pote, pra dar sorte.
De Paris, miniatura da Torre Eiffel, pra lembrar aquele amor.
Das Cataratas do Iguaçu, um pouquinho da água.
Da Amazônia, trouxe um pé de pitanga.

Conchinhas, sabonetes de hotel, flores secas, e por aí vai, era mania de guardar lembranças.
Todas guardadinhas. Volta e meia era só abrir à gavetinha e pegar a mais acolhedora, abraçar e voltar a ser criança.

Patrícia Rocha

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