As fases da mulher

por Nayara Marques | 15/12/2010
Noivado, casamento, maternidade: como enfrentar esse trio e ter sucesso em cada fase?

A imagem da família feliz reunida em torno de uma mesa de café da manhã funcionava bem num comercial de margarina dos 60. Hoje, durante a rotina corrida, você pensa: "Qual foi a última vez que eu, meu marido e meus filhos nos sentamos juntos para uma refeição?". Estresse, responsabilidades e compromissos esbarram no dia a dia familiar e tempo se tornou artigo de luxo para a maioria das mulheres. Foi pensando em simplificar a nossa vida que três psicólogas cariocas se uniram para lançar o livro "Mulher, vamos descomplicar?".

Luciana de La Peña, Ana Franqueira e Ana Tereza Miranda relatam as dificuldades que três mulheres passam ao lidar com o noivado, o casamento e a maternidade. Afinal, essas fases só agregam mais responsabilidade e novos papéis sociais à mulher moderna. "Essa mulher atual, brasileira e pronta para tudo é peça chave de uma nova família. Uma mulher que, em seu modelito multifuncional, traz sempre a tiracolo sua superbolsa sobrecarregada de funções e que, às vezes, consegue até ser feliz. Mas isso lhe custa caro, muito caro", resumem as autoras, em um trecho do livro.
Considerados por La Peña como rituais de amadurecimento, os três períodos abordados no livro são tratados como divisores de água na vida de qualquer mulher. O problema é que muitas chegam despreparadas e não conseguem lidar com as possíveis decepções. "Os casais estão se divorciando cada vez mais cedo. As pessoas já se casam pensando no divórcio. Muitas mulheres falam: 'Ah, eu caso e se não der certo é só me divorciar!'. As relações estão líquidas. É a geração da troca. Ninguém faz esforço para consertar, para melhorar. Não deu certo, troca. As pessoas se esqueceram de que o casamento não se resume ao dia da festa, onde tudo é diversão. E o resto dos dias? É como os contos de fada: todos acabam no príncipe e na princesa casando e vivendo felizes para sempre, só que o resto não é mostrado", compara.
Casamento
A falta de suporte e referências reais é a principal causa para a decepção no casamento, diz La Peña, já que a criação de expectativas perfeccionistas é inevitável. "Não acho que exista ilusão entre as mulheres sobre o casamento. Há um despreparo, a falta de suporte e diálogo. Isso tudo gera um vazio, pois ela se casa esperando que tudo seja uma maravilha, mas os problemas existem e precisamos lidar com eles. É preciso entender o que você está passando e saber que todo mundo passa por isso. Você não é a única. Você não é um ET porque seu casamento não saiu como esperava", explica.
Maternidade
A maternidade também é, para as psicólogas, uma caixinha de surpresas. O corpo sofre transformações, a relação entre o casal é alterada e a consciência de que um novo membro na família será totalmente dependente de você pode dar medo. Expectativas que, no livro, afligem a personagem Maria Clara: "A gravidez para Maria Clara - e para mulheres que engravidam pela primeira vez - era uma sucessão de surpresas nem sempre agradáveis.

Sentir o bebê se mexer na barriga é uma emoção só. Mas olhar seu corpo no espelho, com aquele olhar de mulher exigente com tudo o que tenha a ver com um corpo bonito, quase a leva à depressão. Para piorar, o sexo com Vicente entrou em banho-maria. Nos primeiros meses, por medo. ‘Será que vai fazer mal ao feto? Será que não vai forçar demais?'. Em consequência, sentir tesão passou a ser associado a uma dúvida cruel: ‘Será que podemos?'"
Mulheres, vamos descomplicar?
Na obra, a "Mulher Bombril" ganha destaque. Ela trabalha fora, faz os serviços domésticos, toma conta dos filhos, do marido, da empregada e do cachorro, paga as contas e ainda tem que arrumar tempo para cuidar de si. Quem passa por isso sabe que o termo "mil e uma utilidades" não é exagero. "Como aquelas esposas amorosas e dedicadas de algumas poucas décadas atrás viraram a Mulher Bombril do século 21? Em primeiro lugar, vamos combinar o seguinte: a vida não é um comercial de margarina, está mais para uma novela de dramas com capítulos inéditos a cada dia", conta um trecho.

A divisão das tarefas domésticas não é uma iniciativa que deve partir somente do homem. Segundo La Peña, a mulher precisa ceder. "Existem homens que querem participar, ser mais atuantes nas atividades domésticas. Da mesma forma que há aqueles que não querem nem pensar em dividir. Mas a mulher tem certa dificuldade em abrir mão das responsabilidades que ela delega para si. O problema é que ela ao longo do tempo foi somando funções, mas esqueceu de dividir", observa.

CLIQUE E LEIA UM APERITIVO DE CADA CAPÍTULO DO LIVRO:

- Primeira parte – A mulher Bombril

- "Lá vem a noiva, toda de branco..."

- Até que a rotina nos separe

- "O inferno são os outros" (A grávida)

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